Cinema Em Foco: Whiplash

Por Beatriz Fabri

20 de fevereiro de 2015


Resolvi falar de Whiplash, filme que está indicado este ano (2015) em cinco categorias do Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Mixagem de Som. Este filme conta a história de um jovem baterista, Andrew, que almeja ser o melhor dos melhores e que não vai medir esforços para concretizar seu sonho. Outra pessoa que não medirá esforços para ajudá-lo (ou não) a atingir o seu potencial máximo é seu professor de música Fletcher, o melhor dentro da melhor escola de música do país. Simples, certo? É, na verdade não há nada simples em querer ser o melhor e Andrew terá alguns “poucos” desafios no meio do caminho. Digamos que será doloroso, e não apenas fisicamente doloroso, mas psicologicamente destrutivo.
Excelentes as atuações, de ambos no filme, aluno e professor, mas J.K. Simmons está em outro patamar, não sei nem o que falar na verdade sobre sua atuação, só digo uma coisa: Assistam! Miles Teller também arrebenta com sua interpretação e não deixa a desejar no papel de Andrew.
J.K. Simmons já levou o SAG Awards, o BAFTA e o Globo de Ouro para melhor ator coadjuvante e tem que levar o OSCAR também, sua atuação é impecável! Gostei muito do Ethan Hawke e do Edward Norton então nem se fala, está espetacular em Birdman. Mas J.K. Simmons vai levar porque fez uma atuação fora do sério. Assistam que vocês vão entender, e não vai ter dúvida alguma sobre quem merece todos os prêmios para ator coadjuvante este ano.
Não é um filme com um roteiro mega grandioso, mas vou dizer outro motivo pelo qual o roteiro deste filme foi muito bem elaborado: o filme é exatamente como um solo de bateria. Quando eu escuto um solo de bateria nunca sei exatamente qual será o momento da retomada, aquele momento que irá explodir com tudo. Penso que o filme tem essa mesma intensidade da bateria. Nunca toquei, mas imagino que para quem toca deve ser o máximo esse sentimento de jogar toda a sua energia em algo, deve ser realmente relaxante no final do dia. Além disso, o controle que deve-se ter do corpo, a coordenação motora e conseguir manter o ritmo. fico cansada só de pensar.
O filme não deixa de lado temas para reflexão. Muitas questões sobre ego e orgulho, mas também sobre perseverança, foco, determinação; um contraponto interessante. Às vezes o ego e o orgulho ajudam na determinação, às vezes atrapalham e anuviam o caminho, a linha é tênue. Também podemos pensar sobre os métodos de ensino de Fletcher,a final pessoas reagem de formas diferentes ao mesmo tipo de tratamento, seu método de ensino ajuda ou atrapalha? Como saber com certeza? Quais são os riscos ? Até onde o ser humano é capaz de chegar? Quais são nossos limites? Uma pessoa tem o poder de ajudar outra pessoa a se elevar, mas também poderá ter o poder de destruí-la, dependendo das relações e conexões que essa pessoa fez durante sua vida. Sim ou não ?
Simples e complexo ao mesmo tempo. Como uma bateria. É fácil sair batendo nos pratos e tambores, agora quero ver fazer som de  verdade, quero ver tocar Whiplash ou Caravan, pelo visto é bem difícil! Espero que curtam! 

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