Cinema Em Foco: Boyhood

Por Beatriz Fabri

22 de janeiro de 2015


Mais um filme recente e que disputará firmemente o OSCAR deste ano. Já é o vencedor do Globo de Ouro de melhor drama (premiação aconteceu no dia 11/01), e está concorrendo ao Oscar de melhor filme juntamente com "The Imitation Game", "The Theory of Everything", "Selma" e outros. Concorrerá também aos prêmios de melhor ator coadjuvante (Ethan Hawke), melhor atriz coadjuvante (Patricia Arquette), melhor diretor (Richard Linklater), melhor roteiro original, melhor edição de filme.

A história, a sinopse do filme é muito fácil: A vida do jovem Mason dos seus cinco anos de idade até os dezoito. Básico. É uma história comum sem nada de mais, então qual é a grande sacada desse filme? A primeira grande sacada do diretor foi ter usado os mesmos atores durante todo o período. Isso mesmo, ele filmou durante 12 anos consecutivos. Cada ano que passava ele filmava uma semana da vida de Mason, você pode imaginar a paciência deste diretor ? 
Não é a toa que já levou o Globo de Ouro para melhor direção e imagino que no Oscar também seja o favorito já que é algo inovador. Ganhou o Globo de Ouro de melhor filme, mas não arriscaria dizer que vai ganhar o Oscar também (apesar de eu ter ouvido falar que os americanos se apaixonaram pela história), pois não é um filme tradicional o suficiente para o Oscar (meu palpite).

Além de ter tido muita paciência para dirigir esse filme, há muitos riscos de continuidade que podem ser levados em consideração. Tem o risco óbvio de acontecer algo com algum ator que o impossibilite de continuar na produção do filme, mas uma coisa que eu não consegui deixar de pensar foi "e se as crianças que atuam bem enquanto crianças, passarem a atuar mal ?". É que, tem tanto filme que vemos com crianças e estas quando crescem se tornam péssimos atores.  Fiquei pensando nisso.  Não achei que isso aconteceu no filme, ainda bem. Não é um filme com atuações muito fortes, só a Patricia Arquette que se diferencia, mas é o tipo de filme que não será  lembrado por atuações estarrecedoras.
Outra sacada do diretor foi justamente a de fazer uma história comum, sabe por quê? Porque você se identifica. Não com a história toda, é claro, mas com alguns acontecimentos ou algumas fases da vida dos personagens, por exemplo a fase Harry Potter! Cheguei a conclusão com esse filme que o banal é interessantíssimo, me fez lembrar um pouco Beleza Americana. Pensando bem talvez leve o Oscar sim. Uma linda viagem pelo tempo, é demais vê-los envelhecendo... é como se estivéssemos assistindo um seriado de anos e anos, condensado em 2horas e 45 minutos, uma sensação esquisita de familiaridade com o personagem, personagem este que você conhece desde os cinco anos, conhece cada fase da sua vida e acompanha a sua formação, a maneira como ele cria sua identidade até completar dezoito anos e ingressar na vida adulta. Algo realmente inusitado no mundo do cinema. Vale a pena conferir!
Comentário(s)
0 Comentário(s)