Cinema Em Foco: Ela

Por Beatriz Fabri

8 de janeiro de 2015

“Ela” conta a história de um escritor solitário, Theodore Twombly  (interpretado por Joaquin Phoenix), que após passar por uma difícil separação, começa a ter um relacionamento com um sistema operacional chamado “Samantha” (voz de Scarlett Johansson) que foi programado para atender todas as suas necessidades.

Esse filme mostra o abismo emocional para o qual estamos caminhando. Eu tenho certeza que não estamos muito longe disso. Já existem várias pessoas que tem relacionamentos melhores no facebook, no twitter ou através de jogos online do que com outras pessoas. Esses dias li em alguma superinteressante sobre como seria o mundo se de um dia para o outro a internet entrasse em colapso, e um dos sintomas que as pessoas teriam seria uma depressão profunda devido a falta do facebook, e que com certeza haveriam profissionais, psicólogos especializados para tratar essas pessoas. Coisa de louco, não? Enfim, estamos cada vez mais solitários e cada vez interagindo menos com outras pessoas, e é aí que se encontra o personagem principal desse filme.
O engraçado é que ele trabalha escrevendo cartas para outras pessoas. Isso foi o que eu achei mais interessante. As pessoas que conheciam o trabalho dele se apaixonam pelo que ele escreve e se identificam. São cartas belíssimas e  de alguma forma ele consegue transmitir o sentimento das outras pessoas, mas não o dele. Que ironia! Ele era o elo de conexão entre muitos casais e muitas outras pessoas, mas ele não conseguia se conectar com ninguém.
Ele não era o único. Nas cenas em que ele estava passeando pela cidade sempre havia várias outras pessoas iguais a ele, falando sozinhas, ou melhor, falando com os sistemas operacionais (SO’s). Hoje nós vamos várias pessoas em restaurantes, shoppings, andando na rua olhando para os smartphones da vida, ou seja, esse filme não está nem um pouco longe da realidade, logo estaremos numa loucura ainda pior.
Uma das cenas que eu mais gostei foi quando ele comprou o sistema operacional, e ele tinha que dar alguns dados para criar o seu perfil de usuário e se não me engano o computador fez duas perguntas e depois perguntou “como é o seu relacionamento com a sua mãe?’, ele começa a falar que é bom, depois gagueja um pouco e começa a hesitar e tentar explicar e então o computador vira e fala alguma coisa do tipo: “thank you, seu perfil será concluído em instantes”. Ótimo né ? Definiu tudo pelo relacionamento com a mãe, que sacada.
Enfim, um filme bom, não é dos meus favoritos, mas acho que é porque eu não sou muito chegada em romance e esse apesar de ser “doido” do jeito que eu gosto, ainda assim é um romance. Foi indicado ao Oscar 2014 de: “Melhor Filme”, “Melhor Canção Original”, “Melhor Trilha Sonora”, “Melhor Design de Produção” e “Melhor Roteiro Original” dos quais ganhou nesta última categoria tanto o Oscar quanto o Golden Globe.
Espero que gostem!! Feliz 2015 à todos :))

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