Cinema Em Foco: A Rosa Púrpura do Cairo

Por Beatriz Fabri

12 de dezembro de 2014



A Rosa Púrpura do Cairo é um filme do Woody Allen (ele dirigiu e escreveu), e não esperava que fosse gostar tanto assim, pois apesar de amar alguns filmes dele isso não acontece com tanta frequência. Amei Match Point mas em compensação Vicky Cristina Barcelona não deve ter sido impactante para mim já que nem lembro direito do filme (e olha que eu adoro a Peneélope Cruz e o Javier Bardem), e Blue Jasmine é interessante mas não é algo que me deixou maravilhada (apenas a atuação da Cate Blanchett).  Então não tinha muita expectativa, até eu ler a sinopse do filme que é algo mais ou menos assim: Mulher cansada do emprego e dos abusos do marido acaba indo ao cinema várias vezes para assistir ao mesmo filme, até que o personagem do filme se encanta por ela e sai da tela para encontrá-la no mundo real.
Cecilia é uma personagem meiga, desastrada, ingênua e que está cansada da vida que leva, sofrendo maus tratos do marido, lutando para sobreviver em meio a grande depressão nos anos 30 nos EUA. Ela obviamente não gosta do seu trabalho de garçonete pois não anota um pedido direito, não leva a conta quando pedem, derruba e quebra pratos porque vive no mundo da lua, pensando nos filmes que assistiu e nos próximos filmes que chegarão no cinema. Uma sonhadora. A única coisa que a faz feliz é ir ao cinema. É como ela lida com a situação em que se encontra. No cinema nem seu marido e nem seu chefe podem gritar com ela, é no cinema que ela finalmente se sente bem. Cecilia resolve assistir ao filme “A Rosa Púrpura do Cairo”, e nesse filme tem um personagem chamado “Tom Baxter”, que é romântico e aventureiro. Depois de assistir ao mesmo filme 5 vezes, o personagem Tom Baxter começa a agir diferente no filme e a olhar “para fora da tela”, até que começa a falar com Cecilia e consegue sair da tela do cinema e fugir com ela. Para mim essa é a melhor cena do filme, juro que arrepiei a hora que o vi pulando da tela para a sala de cinema.

O filme é engraçado e leve. Achei interessante que eu senti que até as atuações pareciam leves. Eu fiquei encantada com esse o que fez o papel de Tom Baxter: Jeff Daniels. Ele era realmente romântico, carinhoso, gentil, simpático, tudo de bom. E o mais engraçado nesse filme é que o Jeff Daniels tem que fazer o papel do ator que interpretou Tom Baxter. Então ele é um ator, fazendo o papel de um ator (Gil Sheperd) que fez um personagem (Tom Baxter) que saiu da tela do cinema para a vida real. É muito interessante e doido. E as pessoas culpam o ator Gil Sheperd pelo fato de seu personagem, Tom Baxter, ter saído da tela do cinema porque afinal foi ele quem o criou daquela forma, ele que fez o papel de um cara tão romântico e aventureiro e por isso era ele que teria que lidar com o personagem dele e fazê-lo voltar para a tela.
Fui procurar o que mais esse ator fez porque achei tão ótima sua atuação como “ator e personagem”, “mestre e criação” e, como disse antes, foi tão leve que parecia verdadeiro mesmo. Sabe quando você tem a sensação que você acredita em cada palavra do que a pessoa está dizendo? Foi isso que senti assistindo esse filme, eu realmente acreditava em tudo que ele dizia, eu comprei a atuação dele 100% (como "personagem ator" e como "personagem personagem". Compliquei ? E daí que eu vi quem ele era, simplesmente o ator do “Debi e Lóide”, vocês acreditam nisso ? Acho que nunca tinha visto mais nada com ele e  por isso nem lembrava que ele existia. Ele também faz “The Newsroom”, seriado que eu quero assistir e que tenho certeza que o pessoal aqui que é maníaco por série deve conhecer!  Nossa, mas ele estava demais nesse filme, demais MESMO!!

Nem preciso dizer que me identifiquei super com a personagem da Mia Farrow, apaixonada por cinema que adora ver um filme mais que uma vez e eu sou exatamente assim. Mas só isso também, de resto eu não tenho nada a ver com ela. :) Este é um filme antigo já (1985) e que é ambientado nos anos 30 então parece mais antigo ainda, mas espero que gostem e que deem uma chance, pois vale muito a pena. Valeu!!
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