Cinema Em Foco: Batismo De Sangue

Por Beatriz Fabri

13 de novembro de 2014



Resolvi falar sobre um filme que nos traz relatos sobre a ditadura. Sempre que lemos algo sobre a ditadura temos o sentimento de que foi algo muito forte e pesado, mas acho que nada é melhor que uma  imagem no quesito: descrição. Uma imagem vale mais do que 1000 palavras. Pelo menos foi assim que eu me senti ao assistir Batismo de Sangue. O pior é sabe que o filme mostra apenas uma parte do que foi a ditadura, e ainda assim é chocante.

Nos anos 60, durante a ditadura militar no Brasil, os frades dominicanos Tito, Betto, Fernando e Ivo ajudaram organizações de esquerda e um dos grandes líderes revolucionários: Carlos Marighella. Eles lutavam pelos direitos do povo e pela liberdade, mas quem questiona um governo ditatorial sofre severas consequências. Neste tipo de governo você é obrigado a viver em estado de alerta, com medo o tempo todo porque qualquer coisa poderia ser considerada uma ameaça ao governo e passível de repreensão. 

Caio Blat como Frei Tito  e Cassio Gabus Mendes como Fleury estão espetaculares. Até tive pesadelos com o Cássio Gabus Mendes de tão irritantemente real e malvado que ele está nesse filme. Adoro o Caio Blat e achei também que a interpretação dele foi divina. Os dois com certeza foram as grandes estrelas deste filme, e apesar de eu gostar muito do Daniel de Oliveira (muito mesmo), achei que ele atuou bem e tiveram cenas ótimas com ele, mas já o vi fazer muito mais. 

Assisti a três filmes esses dias sobre ditadura militar e a um documentário e não posso deixar de pensar no quão similar é a situação descrita nesses filmes com o livro 1984 de George Orwell, me fazendo lembrar em especial da parte da “Polícia do Pensamento”. Qualquer um a qualquer momento poderá te denunciar para o Governo, por motivos bestas e muitas vezes ridículos, pois ninguém quer ser cúmplice da subversão. 

O filme é baseado no livro do Frei Betto que ganhou o Prêmio Jabuti, o mais importante prêmio literário do Brasil. O filme ganhou em 2006 os prêmios de melhor diretor e melhor fotografia no Festival de Cinema de Brasília. O filme é excelente, nos mostrando uma das muitas faces da ditadura, além de também ser muito triste por ser baseado em fatos reais, o que nos faz pensar como existe crueldade sem limites nesse mundo e dá um certo desespero de pensar onde vamos parar com toda essa violência. É um ótimo filme para refletirmos sobre a sociedade em que vivemos, no que ela foi e no que ela poderá, quem sabe,  voltar a ser. Recomendo! 


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