OPINIÃO - BELIEVE - CANCELAMENTO INJUSTO OU JUSTIFICÁVEL?

Por Helena Souza

6 de agosto de 2014




Sinopse: A trama se desenvolve em torno da menina órfã Bo que nasceu com habilidade anormais sobre as quais não apresenta muito controle, como poderes de levitação e o controle da natureza, assim que suas habilidades começam a melhorar, as pessoas que a ajudam devem se voltar para um estranho. Isso os leva a William Tate, um prisioneiro no corredor da morte injustamente condenado, quem eles ajudam a sair da prisão. Apesar de relutante em seu papel de protetor a princípio, os dois eventualmente formam um vínculo que irá ajudá-los, assim como outros, enquanto tentam ficar sempre um passo a frente das pessoas que tentam pegar a garota.

Logo quando saiu a lista das séries da Midseason 2014, Believe foi uma das que teve minha atenção, não ao ponto de colocar na minha grade, mas sim para que eu ficasse de olho quando estreasse, ver a crítica e, se valesse a pena, eu começaria a assistir. Uma série em que a menina é superprotegida e que, no começo, um cara que não quer ter esse trabalho imposto à ele, é algo previsível e pode se tornar maçante se não bem desenvolvido. Believe é uma série criada por Cuarón e Mark Friedman, e produzida por J.J. Abrams, então eu já esperava morrer em alguns episódios implorando por alguma explicação (vide Lost, Revolution, Person of Interest e várias outras), como os últimos trabalhos de J.J. na televisão, Believe não escapou do terror existente no mundo das séries: foi cancelada.

"Então, visto que foi cancelada logo na sua primeira temporada, qual o motivo que eu deveria assistir?" (Ou que não deveria assistir, dependendo do seu gosto).

Believe, com apenas 12 episódios (o 13º é apenas um do meio da temporada que foi excluído, porém, passou na Nova Zelândia e caiu na rede), me fez ter vários sentimentos: expectativa, sono, tédio, fofura, perdido, etc. Seus episódios, até o 7º, 8º, me faziam ter a sensação de perda de tempo, visto que pareciam ser os mesmos sempre. Bo é procurada pela Orchestra, uma organização secreta financiada pelo governo que pretende treinar pessoas com habilidades psíquicas para servirem de armas. Como Milton, um ex-parceiro de negócios de Skouras (líder da organização), percebe que isso não faz bem para as pessoas e que essa organização era errada, ele foge com Bo, levando alguns aliados consigo. Desde então a organização corre atrás deles, matando todos os que estiverem em seu caminho, incluindo pais que Milton consegue para proteger Bo. É basicamente isso a maior parte da série, inclusive quando entra Tate, um presidiário salvo por Milton e incumbido de proteger a pequena.

"Mas, espera aí, por que raios o cara tem o trabalho de ajudar um homem condenado a fugir da prisão apenas para cuidar de uma garotinha? E as outras pessoas?" Calma.


Vamos primeiro comentar sobre os personagens, depois falaremos de Bo e Tate especificamente. Primeiramente temos o Milton, como já disse, ele um dia foi líder da Orchestra junto com Skouras, ela foi criada a partir de Nina, mãe de Bo, que incrivelmente conseguiu explodir um míssil ainda no ar, ele tem a consciência pesada (motivo que descobrimos apenas no 11º episódio) e isso faz com que esteja disposto a dar sua vida para que Bo fique viva, ainda mais com a garotinha sendo tão importante para os planos de Skouras, ele é que tira Tate da prisão, se passando por um padre. Senhorita Channing é a personagem que o fandom de OUAT em todo o episódio torcia para que morresse, afinal, eles diziam que a morte de Channing poderia significar a volta de Mulan, ela a principio tinha todos os pés atrás com relação ao Tate, pensava que ele iria cuidar de qualquer jeito de Bo e fugir na primeira oportunidade que tivesse, é extremamente leal ao Milton e a causa que ele luta.

Skouras é um cara que eu até agora (já finalizei a série) ainda não entendi quem realmente é. Primeiro nos passa a impressão de ser um cara ambicioso que não se importa com ninguém, apenas com sua organização e as coisas que pode fazer com ela, mas nos últimos episódios é mostrado que esse amor dele as coisas materiais e à ânsia de ser um alguém que vai mudar completamente a cena médica e armamentista do mundo, divide lugar com o carinho que sente por Bo, eu não entendi se essa feição, carinho sentido por ele é no fim das contas algo parecido com o que Milton sente ou se faz parte apenas de seu lado "ruim", de querer o bem de Bo apenas porquê ela é poderosa. A personagem mais descartável foi a detetive do FBI, mas gostei do jeito que eles a retiraram da série, me pareceu ser algo natural. Dani foi a que entrou para dar final a série, para que Believe tivesse um momento épico e assim pudesse ser finalizada cumprindo as etapas necessárias, achei que aconteceu tudo muito rápido, mas fiquei satisfeita com o final. Por fim, temos Tate e Bo, apresentei eles um pouco dentro dos outros personagens, mas ainda tenho mais o que falar, ô se tenho!


A relação de Tate e Bo é o que vou sentir falta em Believe, se faltou algo novo, se apenas houve a mesma situação de sempre de fugir e ser encontrado fugir e ser encontrado fugir e ser encontrado, sobrou vontade de ver mais e mais cenas dos dois juntos. Acredito no que estou dizendo pois não sou fã de crianças metidas a espertas e que se comportam como adultas, mas eu gostei de Bo. Como não gostar da garotinha?

Bo é carismática, tanto a personagem como a atriz, elas espalham fofura onde quer que estejam. Tate, que no começo se mostra um cara que ainda está tentando lidar com a situação e que apenas está com ela para que não fique mais na prisão (injustamente condenado, como é explicado em um dos episódios da série), mas que ao decorrer dos episódios, fica nítido que ela, além de nos conquistar, também o conquistou. Os dois protagonizaram juntos cenas lindas e gostosas de assistir, seja sendo as em que salvaram vidas, brigaram ou que demonstraram carinho. O motivo de Tate ser o escolhido passa a ser óbvio depois que o choque de "Pra que tiveram o trabalho de ajudar um cara a fugir da prisão só para cuidar de Bo?" passa. Apesar de eu ter enrolado para terminar, apesar de muitas vezes ter parado um episódio e esquecido de voltar do tanto que ele estava "interessante", a relação que os produtores conseguiram criar e manter entre esses dois personagens fizeram Believe valer a pena ser vista.

Observação (in)relevante: Na minha opinião, a atriz de Bo, Johnny Sequoyah, daria uma ótima Amanda (Revenge) criança, fora que a garota tem talento e, se bem cuidada, pode ainda fazer nome no meio artístico. O ator de Tate, Jake McLaughlin, desde o começo me lembrou demais o ator Andy Whitfield, da primeira temporada de Spartacus, e pelo que andei bisbilhotando na internet, não fui a única a achar isso...

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