CONHEÇA: HANNIBAL

Por Leonardo Galassio

9 de agosto de 2014

Afinal, qual o motivo de tanta qualidade em Hannibal?

Hannibal, série da NBC, é uma adaptação dos livros de Thomas Harris, mais precisamente Red Dragon, chamou atenção antes mesmo de sua estreia, já que o enredo se tratava de um dos maiores ícones da dramaturgia, tanto nos livros quanto nas telonas.

Primeiramente devo dizer que não li os livros e apenas assisti aos filmes sem uma ordem correta, assisti só por estar passando na TV (shame on me). Mas considerando o imenso hype que eles têm, dá pra imaginar a dúvida e o receio que tive antes da estreia da série, e aquela sensação ruim de que iriam detonar uma das maiores referências artísticas já criadas me incomodava muito. Mas não tem jeito, Hannibal é um personagem tão bem projetado que não dá pra errar. Ainda mais quando Bryan Fuller está no comando. Hannibal tinha de ser, no mínimo, ótima.

E, sim, Hannibal é ótima. O texto na medida certa, somado as atuações monstruosas do elenco inteiro, fizeram dela a melhor estreia da temporada 2013 ao lado de Bates Motel (outra maravilha de série). Os diálogos muitas vezes são longos - principalmente durante as sessões de psicanálise – e isso é um risco pra qualquer produção. O risco de “diminuir” demais o ritmo e com isso perder o interesse do público. Mas a série consegue (por conta do ótimo texto e atuações), nos prender em todos os diálogos, sem dar chance para o tédio atingir quem assiste, mesmo nas cenas mais longas, o que é de se aplaudir, ainda mais nos dias de hoje.
Há de se elogiar também a construção e evolução de cada personagem em apenas 13 episódios por temporada, muito bem feita, na medida, permitindo que rapidamente nos importássemos com eles. Will Graham é fantástico, andando no limite de sua loucura e genialidade, e a atuação de Hugh Dancy foi simplesmente perfeita. Mads Mikkelsen não fica atrás e nos entrega um Dr. Lecter tão digno quanto Anthony Hopkins (e até melhor em alguns momentos).

Além de toda a qualidade já citada, a série mostra um verdadeiro show de fotografia e estética, que nos primeiros episódios vem com cenas muito coloridas, que intensificam o vermelho (óbvia referência ao sangue). E mais pra frente com cenas mais cinzentas, em sua maioria com o Will andando na floresta perdido em seus delírios e pesadelos, indicando ao telespectador um momento mais crítico, de tensão para todos os personagens.
E é isso que faz Hannibal ser tão boa, a mescla de tensão, dúvida e fascínio que cada episódio consegue proporcionar. Vale registrar também que a série não tem problemas em mostrar corpos abertos, pessoas com parte do rosto arrancada, totens humanos, adolescentes penduradas em chifres de cervos, e tudo isso na TV aberta americana.

Apesar da audiência não ser boa nem de longe, a série só vem sendo renovada por sua qualidade (e pela forçada de barra que a Sony deve ter dado), sendo uma das poucas vezes que a TV aberta renova uma série sem considerar a audiência como um fator determinante. Mas ainda compartilho da opinião que a maioria tem, de que Hannibal seria perfeita na TV a cabo. Imagina essa série passando em uma Showtime ou HBO da vida?

Observações:
  • Quão lindas são as cenas que mostram Dr. Lecter preparando o seu jantar?
  • Puta falta de sacanagem ele servir suas “iguarias” para seus convidados né?


Assista a promo da série:
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