A GUERRA DOS TALK'S SHOW'S

Por Alvaro Luiz Matos

3 de abril de 2014


Danilo Gentilli ganhou notoriedade na sua mudança de emissora, a estreia foi espetacular, mas será que o programa vem sendo tudo isso?

THE NOITE:
As entrevistas do The Noite são um tanto quanto engessadas, muitas vezes dando a impressão de serem roteirizadas, principalmente quando os convidados são do canal, ou velhos conhecidos. Alguns quadros são bobos o suficiente para parecer perda de tempo como ter uma vinheta para dizer que o Roger tem o QI 200, ou então uma versão infantil do Talk Show para crianças bonitinhas (e bobas) e ainda aqueles quadros que estão invadindo o monólogo aonde o entrevistador vai às ruas e faz com que o entrevistado de sua opinião fazendo algo tosco.

Sim, comecei minha análise pela ferida e criticando alguns pontos e por isso afirmo que o The Noite está vencendo mais pela euforia da transição do que pelos quadros e entrevistas. O monólogo, por exemplo, sempre foi uma abertura ótima para o programa e vem sendo muitas vezes mal utilizado e preguiçoso.

Claro que tem coisas boas, a entrevista está mais séria e muitas vezes valorizando o diálogo e isso é o que faz com que um Talk Show seja levado a sério. A rodada da noite também é infalível, o mestre mandou é bem legal se não for desgastado atoa e a banda está mostrando que é sensacional e tocando de verdade (deixando de lado as brincadeirinhas do programa antigo).

AGORA É TARDE

É nítido que o programa tem valorizado o monólogo de entrada e seja lá quem esteja ajudando o Rafinha nesse roteiro está de parabéns, a abertura do programa nos deixa muito mais motivados em assistir, pois já inicia com um humor muito bem produzido. As entrevistas em alguns momentos já estão me lembrando do semanal "8 Minutos" e mostrando um Rafinha mais interessado e com perguntas melhores. Porem ainda acho que nesse quesito falta melhorar um pouco, pois ambos os programas param a entrevista a todos os instantes para aproveitarem os convidados para piadinhas e brincadeiras toscas/chatas.

Eu aconselharia que isso fosse feito em quadros separados e não no meio da entrevista, quebrando o clima e a sequência, ainda por cima isso atrapalha a evolução do Rafinha como entrevistador, que em minha opinião é melhor que o Gentilli nesse quesito. (Já que as piadinhas e as interrupções do Gentilli nas entrevistas são mais orgânicas - dando a impressão que citei de que tenha sido roteirizada).

Já o quadro da Dilma é ótimo pra quem é “super fã” do Gustavo Mendes, mas pra mim é um pouco exagerado em certos momentos.
 
OUTRAS OPINIÕES:

Como disse, acredito que ambos os programas estão errando nas “externas” e ficam parecendo àqueles programas de auditórios com pegadinhas, entrevistas malucas e um monte de ideia velha. Até o “Encontro” da globo já usou isso com o Veras e o Vitor Sarro e acabou “desistindo”.

Na óptica da entrevista eu ainda sou mais o Jô, pois lá a conversa é mais gostosa, flui melhor, instruiu melhor, prende mais e interrompi menos. Entre o Danilo e o Rafinha eu acho o Rafinha um entrevistador melhor, mas não tem usado sua característica da melhor forma, pois as interrupções atrapalham lhe demais. Já o Gentilli tem esses quadros extras como característica e de certa forma o que atrapalha um ajuda o outro.


Portanto na minha visão o Agora é Tarde tem evoluído desde sua reestreia, já o The Noite, embora ainda muito superior, tem que rever alguns quadros. A Band tem que deixar o Rafinha entrevistar, conversar e fazer seu Talk Show sem interrupções, pois dessa forma a sua audiência (mesmo que ainda baixa) pode evoluir mais. 
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