THE AMERICANS - S02E02 - CARDINAL

Por Rodrigo Santana

7 de março de 2014

SPOILERS ABAIXO
Medo do desconhecido resume este episódio. Como a própria Elizabeth admitiu, ela nunca se preocupou com a segurança de Paige e Henry, nunca pensou que seus filhos pudessem pagar pelos seus crimes. A série vem trabalhando para nos deixar em dúvida sobre quem está por trás dos acontecimentos do episódio anterior, aumentando assim a tensão e a paranóia como um todo.

O assassinato misterioso e brutal de Emmett, Leanne e Amelia mexeu com os Jennings de modo distinto. Philip, por estar envolvido em missão e seu relacionamento com Martha, agiu de modo mais frio e realista. Elizabeth ficou mais paranóica e tensa pela segurança dos filhos, deixando-os sempre perto dela (tanto que ela passou grande parte do episódio em casa com eles), desconfiando dos vizinhos e dos operários da obra em frente a sua casa. A atuação de Keri Russell neste episódio foi excelente, em todas as cenas que ela apareceu, teve aquela expressão de tensão e agonia, mesmo tendo que disfarçar na frente dos filhos era visível que a personagem estava incomodada. 
A conversa do casal no fim do episódio foi reveladora e um pouco utópica. Estranho saber que mesmo fazendo tudo o que fazem, Elizabeth nunca se preocupou com o quê aconteceria com Paige e Henry caso algo desse errado em alguma missão (pura utopia achar que nunca daria algo errado em algum momento). Foi dito que o filho do casal morto receberia ajuda da central da KGB, porém ninguém sabe ao certo que tipo de ajuda o menino receberá. Lembrando que na primeira temporada, Robert (o outro espião morto na primeira temporada) tinha uma mulher e um filho sem que a central soubesse, o bebê foi enviado à família do pai na União Soviética, mas a mãe foi assassinada friamente por Claudia que ainda fez parecer que a moça sofreu uma overdose. 

A falta de confiança no próprio sistema contrasta com o entusiasmo com o comunismo de Elizabeth, num pedido de ajuda onde ela socorre uma amiga espiã da Nicarágua que está a pouco tempo nos Estados Unidos, a russa faz questão de mencionar como foi linda a revolução e como é importante a conexão soviética na América Central, porém ao discutir o futuro do garoto sobrevivente com Philip, foi marcante a incerteza e o medo que Paige e Henry possam passar por tal "cuidado" da KGB. Aliás por falar em Nicarágua (revolução sandinista), este episódio teve várias referências aos anos 80 como Indiana Jones, Blondie e a invasão israelense à península do Sinai, um prato cheio pros historiadores de plantão.

Philip não entrou no clima de paranóia porque teve que trabalhar bastante no episódio. Primeiro se passando por Clark em sua vida dupla com Martha, ele teve que mostrar todo seu poder de persuasão, já que Martha cogitava levemente a possibilidade de mudar de emprego, o que arruinaria toda a sua operação. Depois ele teve que lidar com Fred, o contato de Emmett, uma missão que se mostrou bastante arriscada, pois numa invasão a casa do contato, Philip caiu numa armadilha e ficou a mercê de Fred (inclusive correndo risco de vida), uma situação extremamente tensa. Não sei se fui o único que percebi, mas o disfarce de Philip no encontro com Fred, o deixou bem parecido com Rust Cohle, o personagem de Matthew McConaughey em True Detective.
Assim como a vida de Philip, a Rezidentura teve um dia bem agitado. Oleg, o novo funcionário não perdeu tempo e tentou uma aproximação com Nina que o dispensou (acho que ele não vai parar por aí), pela conversa entre Nina e Arkady parece que Moscou não tem alguma informação sobre o assassinato da família de Emmett (e pela gravação, nem o FBI), o que reforça a dúvida sobre quem foi o mandante do massacre. Bruce Dameran, um funcionário do Banco Mundial que já foi do Ministério da Agricultura e esteve na Guerra do Vietnã adentra a embaixada e conta algum segredo para o Rezident, o que chamou atenção de Stan que recebeu informação do adentrado através de Nina, abrindo assim uma investigação. Mesmo com o ar comprometido e focado na cena da digitação, Nina não hesitou e descreveu exatamente sua "missão" sexual com Stan, me deixando ainda com aquela dúvida que tinha na review passada, será que existe um treinamento sexual na KGB

Mais um bom episódio de The Americans, com o risco rondando os Jennings, a crescente desconfiança de Paige (que começou a investigar as ligações que sua mãe recebe), o medo em perder os filhos e novos aspectos na Rezidentura. E você leitor? Qual as suas teorias sobre quem é o mandante do assassinato?

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