PRIMEIRAS IMPRESSÕES: LOOKING

Por Leonardo Galassio

21 de janeiro de 2014


Saber reutilizar velhas formas de narrativa e criar uma identidade própria. Esse pode ser o grande trunfo de Looking.


Antes de mais nada, é bom deixar claro que Looking é explicitamente destinada ao público gay. Disso não há dúvidas. Porém, o que todos devemos ter em mente é que ela não é feita apenas para essa parte da população. Todos podem assistir a série numa boa, desde que possuam uma mente aberta e não tenham o já ultrapassado e extremamente ridículo preconceito contra homossexuais.

Looking, nova série do canal a cabo HBO, vem com uma proposta diferente, sabendo se aproveitar de uma já consagrada estrutura e dando uma nova roupagem a ela. As características técnicas do episódio não se diferem muito de Sex and the City ou até mesmo Girls (ambas também da HBO). O que a novata série pode, e deu bons sinais disso em sua premiere, é conseguir criar o “novo” em cima do que está “velho”.

Com um estilo narrativo bem parecido com o de Girls, Looking explora o universo gay, da forma mais crua e direta que já vi na TV até o momento, e isso já é um ótimo ponto positivo pra série. Oras, se decidiram contar uma história sobre determinado assunto, que ela seja o mais realista possível, e nada completamente superficial como nas novelas da Globo.
Apesar da premissa corajosa, Looking não se apoia apenas nisso. Seus personagens foram bem apresentados ao público, e dessa forma já temos alguma ideia da personalidade de cada um. Quem mais me cativou foi Patrick (Jonathan Groff), que tem um estilo mais fechado, tímido; características que sem dúvidas podem render bons momentos lá pra frente.

Agustín (Frankie J. Alvarez) não me conquistou muito. Com uma personalidade mais liberal, é claramente o que mais se arrisca dentre os três amigos, e visivelmente o que carrega o tradicional estereótipo gay, que tanto é unificado pela mídia. Já Dom (Murray Bartlett) é um cara aparentemente hétero, onde ninguém o apontaria como homossexual à primeira vista. É também, de longe, o mais “problemático” dos três.

Com três protagonistas de personalidades distintas e chamativas, Looking consegue gerar uma certa conexão entre seus personagens e o público, o que para um primeiro episódio é fundamental. Sem dúvidas vale a pena dar uma chance a essa nova aposta da HBO, até por que não se trata apenas de mostrar o universo gay, e sim de entreter com um bom roteiro, boa direção, ótima trilha sonora...
Por fim, vale ressaltar a bela atuação dos protagonistas da série. Souberam segurar a cena em momentos em que o roteiro não estava tão afiado (sim, o roteiro é falho, ainda que eu acredite em sua evolução) e foram parte fundamental em nos entregar um bom episódio de estreia. Mais uma vez repito: é uma série designada para o público gay em um primeiro momento, claro, mas você pode se divertir com essa boa produção televisiva mesmo sendo heterossexual. Uma coisa não precisa depender da outra.

Basta abrir a mente e adicionar mais uma boa série à sua watchlist.

PS.: Não creio que a HBO aposte em um sucesso de público ou até mesmo crítica com a série. O americano, em geral, é bem conservador, e os velhinhos da Academia não irão premiar uma série como Looking, caso ela faça por merecer chegar lá.

Comentário(s)
0 Comentário(s)